terça-feira, setembro 23, 2008

Emoção


Ontem à noite,já deitada, Catarina lia em voz alta para eu ouvir (nestas idades já é ao contrário!):



"Melinda não perguntou nada mas começou a sentir que alguma coisa estranha tinha acontecido.

Mal tocou no almoço e sempre que perguntava pela avó Rosário (!!!) logo a vizinha Eulália lhe respondia:

_ Ai que menina perguntadeira!.............................Vá brincar, vá brincar que a avó não tarda.

Mas a avó tardava.

Mas a avó tardou.

Muito.

E Melinda não fez mais perguntas.

Nem sequer quando a noite chegou e a avó Rosário não veio.

Nem sequer quando o pai apareceu em casa, tarde,a barba por fazer e uma gravata preta que Melinda nunca lhe tinha visto.


Nem sequer quando ele a olhou durante muitotempo e lhe fez festas no cabelo claro, e a teve ao colo mais tempo do que era costume.


Nem sequer quando a cama da avó Rosário ficou por abrir nessa noite. E na outra, e na outra,e na outra.


Nem sequer."


Nessa altura tinha já um nó na garganta e qualquer coisa nos olhos mas olhei para a minha neta que continuava serenamente a ler e pensei:

COMO É BOM SER CRIANÇA!

25 comentários:

The Dream disse...

Deixar uma criança ser criança é uma dádiva.. uma grande prenda!

Parabéns a estua avó maravilhosa: TU!

Beijocas do tamanho do mundo***

Maria disse...

Como é bom partilhares as tuas emoções connosco...
Como é bom teres a Catarina aí, de volta, a ler-te estórias à noite... estórias de avós e netas...

Um abraço enorme para ti, querida Amigona.
Beijos à Catarina...

Pitanga Doce disse...

E como é bom termos ao nosso lado Catarinas e Julinhas...

beijos de cá

BlueVelvet disse...

Quem me dera voltar atrás no tempo...
Beijinhos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
É bom ser criança mas esta passagem é mesmo triste.

Beijos

maresia_mar disse...

Olá
é mesmo para emocionar, como é bom ser criança.
Só vim deixar um beijo grande... Bom resto de semana

Alma Minha disse...

Ainda tenho a minha Avó!
Fico com um nó na garganta só de pensar nisso...

Beijo doce

elvira carvalho disse...

E como é bom ser avó... de uma neta assim.
Un abraço

Casemiro dos Plásticos disse...

É o melhor tempo das nossas vidas:9
beijo

_+*A Elite in Paris*+_ disse...

A inocencia dela não permitiu parar :) nem perceber :)

Beijo meu ♥,

A Elite

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
Passo para te deixar um beijinho extensivo à Catarina.

Sophiamar disse...

É mesmo, amigona! Como é bom ser criança! E ter uma avó como tu.

Mil beijinhos. Para ambas!

Filoxera disse...

Obrigada por me remeteres novamente à escritora da minha infância.
Desfruta esses momentos com a Catarina; nunca conheci uma avó e tenho pena...
Beijos.

AnaMar disse...

E como é bom as crianças teres avós assim..

Um beijo

Concha disse...

...recordei a minha infância,a familia,e, claro as histórias da Alice Vieira.
Parabéns Catarina, é maravilhoso o convivio com a tua Avó.

Hindy disse...

Beijinho hindyado

Odele Souza disse...

Como é bom ser criança e como é bom conviver com criança!

Que linda a tua Catarina!

Beijos pra ti e pra ela.

Susete Evaristo disse...

Porra, eu não sou choricas mas agora não aguentei.
Beijinhos

elvira carvalho disse...

Passei para deixar um abraço e desejar um bom Domingo

Sophiamar disse...

Passei para te deixar um abraço, mil beijinhos e desejar um bom domingo.

Bem hajam avó e neta princesa!

Professorinha disse...

É bem verdade! Ser criança é o melhor do mundo!...

Beijos

Ovinho Estrelado disse...

A minha Avó está pior...

vou comprar esse livro.

Preciso da força dessa criança. E preciso da serenidade da Catarina.

beijo imenso, querida Avó.

São disse...

Ser criança é , de facto, ser especial.
Feliz semana.

Oficinas RANHA disse...

Esse livro é lindissimo, como tudo o que a Alice Vieira escreve. Adequado para todas as idades e interpretado de todas as formas, ms sempre lindo.
Eu sou das que chora baba e ranho.
Beijinhos da Ana Cristina

Oficinas RANHA disse...

Olha, a minha irmã veio cá antes de mim...
Bem, isto para dizer que este foi o meu livro preferido da Alice Vieira durante muitos anos (e para mim era difícil escolher, ela era a minha escritora preferida... e ainda é, tendo em conta a faixa etária dirigida)... o livro é triste, de uma tristeza subtil, pressuposta e mais sentida do que lida... adoro-o e este post deu-me vontade de me voltar para a estante que está atrás de mim, pegar e reler... e claro, chorar, como também é bom fazer... a ler...
Beijinhos grandes, Rita